Rio e Serra

Divino Arbués sempre escreveu além da sua própria música, tendo abundante material inédito, além de artigos, crônicas e matérias avulsas publicadas em jornais e revistas.

Em 1997 lançou seu primeiro livro, o romance “Rio e Serra”, pela Editora Kelps, de Goiânia, e já tem material pronto para edição de outros livros, sendo plano fazê-las de modo intercalado aos discos. A seguir, você terá trechos do livro e uma pequena mostra de materiais não publicados em “versos diversos”.

PREFÁCIO DO LIVRO “RIO E SERRA”

“Neste Rio e Serra, com a mais absoluta confiança às forças da criação de seu autor, podemos dizer que não somente o retrato do rio, da serra, engrandece essa estória, como também, em fôlego maior, todo o desenrolar dos diálogos, dos encontros das personagens, se nos parecem profundamente arraigados de simplicidade, beleza, amor e humanismo; Há em todo seu aparato lingüístico, narrativo, descritivo, formal, a construção de grandes tiradas, em termos de pensamento, como, por exemplo, “A vida é o momento de Rio e Serra porque cada pessoa nasce e morre no tempo. Imagine um grande relógio no qual o ponteiro fique fixo, parado, enquanto sejam as horas que circulem à sua volta. É esse grande relógio que você acaba fazendo quando está, como agora, parado perto do rio tal qual a serra. Um dia você vê a serra ficando para trás, parada e bem cada vez menor. Então você entende que, quando deixar de ver a serra não existirá mais o seu relógio pois terá entrado no tempo, como um relógio sem ponteiro”.

Delermando Vieira – Escritor

“Há, neste romance, o desafio da magia, lição de vida para quem não entende ou não sente que o humano não é só o corpo que carrega. Os personagens se fundem com a natureza e se transmutam em Rio e Serra. Arbués é mais um valor que surge na literatura do Centro-Oeste.”

Prof. Aldair S. Aires – Escritor

VERSOS DIVERSOS

Ilustração da Artista Plástica
Mônica Lobo, de Mato Grosso

“Seria certo passar reto pelas tuas curvas?
Seria exato o amor claro nessas águas turvas?”

“Eu vou morrer de mentira
Se eu viver de verdade
Vou deixar uma saudade
Que poderá ser tocada

Saudade é bela sem mágoa
(com mágoa a saudade dói)
Sem mágoa a saudade canta
Distintos campos … alada

Eu vou morrer de saudade
Se não viver minha mira”

“Se você quer coisa difícil nessa vida
Tente amar um beco sem saída!”

“Só eu sei o quanto me arrastei
para criar minhas asas”

“Eu estou para você
como o pingo que já nasce chuva
está para o chão…”

“Ser pérola não é ser colar
no belo pescoço de alguém.
Ser pérola é ser pérola
Amém”

TRECHOS DO LIVRO RIO E SERRA

“Na verdade – pensou -, às vezes, é muito mais fácil atravessar um oceano que uma só lágrima. Assim o é todas as vezes que seja essa lágrima a navegante em você”.

Ilustração da Artista Plástica
Monica Lobo , de Mato Grosso
(Livro “Rio e Serra”)

“Valô do povo, Tião
Você sabe como eu
São coisas pra acreditá
Muitas os pais que lhe deu
Suas reza, suas lenda,
História para contá
Folclore, veste, merenda
E o jeitão de falá
Suas cantiga, suas dança
Seus dito e de comê
Seus causos para as criança
Do povo é esse o prazê

Tião sabe que nem eu
Que o homem sem estudá
Se crente, dará a Deus
Muito mais o que arrumá
Tudo bem, televisão
Traz de tudo, boa e má
Conquista, amor e tragédia
Nacioná e mundiá
Mas televisão não é
A realidade locá
Vai incutindo na gente
Uma vivência anormá
Atrelando pai e fio
Na fantasia irreá
Adiando as providença
Um zanza lá, outro cá…”

Algumas horas depois Lui lhe respondera: “Seríamos nós capazes de imaginar o Supremo Amor parado, sozinho num lugar, sem que esteja amando? Que maior ato de amor poderia ter o amor perfeito do que reviver todo o seu caminho para a perfeição? O próprio universo traduz a explosão de um ponto e a sua expansão para algum lugar. Quem sabe, o próprio ponto!”

“Não se deve temer a morte, mas, sim, temer estar morto na hora da vida! Por acaso você não viajava rio antes de nascer? E, com certeza, você não tem medo do tempo em que não era nascido!”

“Pra viajar no mundo eu me deito
É pra fazer meu leito que eu ando
Pra reviver o feito criando
E por andar o mundo em meu peito

Que é poeta sem jeito
E insiste em cantar caminhando
Deságua em te amar, desandando
E anda como um rio… afeito

Às vezes corre impaciente
Às vezes pára, manso, profundo
Que é pra caber meu peito no mundo
E eu me tornar o teu afluente

Cair eterno nesse segundo
Jorrar inteiro no teu abrigo
E te encontrar amante comigo
Fazendo amor no peito do mundo!”

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